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Transtorno de Personalidade Borderline

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Os critérios diagnósticos do transtorno de personalidade borderline (TPB) podem ser resumidos em cinco domínios. Em primeiro lugar, as pessoas com TPB geralmente sentem desregulação e instabilidade emocional. As respostas emocionais são reativas e os indivíduos geralmente têm dificuldades com depressão episódica, ansiedade e irritabilidade, assim como problemas com a raiva e sua expressão.

Segundo, indivíduos com TPB têm padrões de desregulação comportamental, como mostrado por comportamento impulsivo extremo e problemático. Uma tendência característica importante desses indivíduos é a tendência a direcionar comportamentos aparentemente destrutivos a si mesmos.

Tentativas de se lesionar, mutilar ou matar, bem como o suicídio efetivo, ocorrem com freqüência nessa população. Terceiro, indivíduos com TPB às vezes experimentam desregulação cognitiva. Formas breves e não psicóticas de desregulação sensorial e do pensamento, como de personalização, dissociação e delírios (inclusive delírios sobre self) são causadas às vezes, por situações estressantes e geralmente cessam quando o estresse é aliviado. Quarto, a desregulação no sentido de self também é comum.

Indivíduos com TPB geralmente informam que não tem qualquer sentido de self, sentem-se vazios e não “sabem” quem são. Por fim, esses indivíduos muitas vezes têm desregulação interpessoal. Seus relacionamentos podem ser caóticos, intensos e marcados por dificuldades.

Mesmo que essas relações sejam muito difíceis, essas pessoas costumam ter muita dificuldade de abrir mão delas. Em vez disso, podem realizar esforços intensos e frenéticos para impedir que pessoas significativas os abandonem.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV-TR, da American Psychiatric Association, 2002), considera os seguintes critérios para o diagnóstico do Transtorno de Personalidade Borderline:

Um padrão global de instabilidade dos relacionamentos interpessoais, da auto-imagem e dos afetos e acentuada impulsividade, que se manifesta no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, indicado por, no mínimo, cinco dos seguintes critérios:

(1) Esforços frenéticos no sentido de evitar um abandono real ou imaginário;

(2) Um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos, caracterizado pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização;

(3) Perturbação da identidade: instabilidade acentuada e resistente da auto-imagem ou do sentimento de self;

(4) Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente prejudiciais à própria pessoa (p. ex., gastos financeiros, sexo, abuso de substâncias, direção imprudente, comer compulsivo);

(5) Recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento automutilante;

(6) Instabilidade afetiva devido a uma acentuada reatividade do humor (p. ex., episódios de intensa disforia, irritabilidade ou ansiedade geralmente durando algumas horas e apenas raramente mais de alguns dias);

(7) Sentimentos crônicos de vazio;

(8) Raiva inadequada e intensa ou dificuldade em controlar a raiva (p. ex., demonstrações freqüentes de irritação, raiva constante, lutas corporais recorrentes);

(9) Ideação paranóide transitória e relacionada ao estresse ou graves sintomas dissociativos.

Quais as comorbidades mais importantes ao Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?

  • Transtornos do humor (incluindo depressão nervosa e transtorno bipolar)
  • Transtorno de abuso/dependência de substâncias
  • Transtornos de ansiedade (notavelmente o transtorno do estresse pós-traumático)
  • Transtorno dissociativo
  • Outros transtornos de personalidade
  • Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH)
  • Transtorno alimentar (incluindo aneroxia nervosa e bulimia nervosa)
  • Transtorno somatoforme

Quais as causas do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?

Dentre as causas do transtorno de personalidade borderline (TPB), o que se observa é a presença de múltiplos fatores que combinados contribuem para o desenvolvimento do transtorno. Dentre os principais fatores, destacam-se:

  • Fatores Biológicos:

Anomalias cerebrais: Alguns estudos de neuroimagem sobre TPB divulgaram descobertas de redução em regiões do cérebro envolvidas na regulação da resposta ao estresse e emoções, afetando o hipocampo, o córtex orbitofrontal e a amídala, entre outras áreas.

Amídalas: Pesquisas mostram que as amídalas são menores e mais ativas em pessoas com TPB. Um estudo descobriu uma atividade incomum na amídala esquerda de pessoa com TPB quando eles experimentam ou percebem sinais de emoções negativas.

Uma vez que as amídalas são a principal estrutura envolvida na geração de emoções negativas, esta atividade incomumente forte pode explicar a intensidade e longevidade do medo, tristeza, raiva e vergonha experimentadas por pessoas com TPB, assim como suas elevadas sensibilidades diante de demonstrações destas emoções por outras pessoas.

Córtex pré-frontal: O córtex pré-frontal tende a ser menos ativo em pessoas com TPB, especialmente quando relembram de memórias de abandono. Dado o seu papel na regulação da excitação emocional, a relativa inatividade do córtex pré-frontal pode explicar a dificuldade que pessoas com TPB tem em regular suas emoções e respostas ao estresse.

Eixo Hipotálamo-hipófise-suprarenal: O eixo Hipotálamo-hipófise-suprarenal (HHS) regula a produção de cortisol que é liberado como resposta ao estresse. Pessoas com TPB produzem alto nível de cortisol, o que mostra que o eixo HHS é hiperativo nesses indivíduos. Isso leva-os a experimentar uma maior resposta biológica ao estresse, o que pode explicar sua maior vulnerabilidade a irritabilidade.

  • Fatores Genéticos: Estudos com gêmeos, irmãos ou outros familiares indicam que no TPB há uma herdabilidade parcial para agressão impulsiva. Pesquisa com gêmeos feita na Holanda concluíram uma influência genética na variação dos sintomas do TPB.
  • Fatores Ambientais:

Foram identificados quatro fatores no ambiente familiar que podem interagir com a hipótese de predisposição biológica para o desenvolvimento do transtorno de personalidade borderline.

O ambiente familiar é inseguro e instável. A falta de segurança quase sempre surge a partir do abuso ou do abandono. A maioria dos pacientes com transtorno de personalidade borderline passou por abusos físicos, sexuais ou verbais quando criança. Se não houve abuso real em relação ao paciente, geralmente houve ameaça de explosão de raiva ou violência, ou o paciente pode ter observado algum outro membro da família sofrer abusos

. Além disso, há casos de abandono da criança. Esta pode ter sido deixada sozinha por longos períodos sem alguém que cuidasse dela ou com alguém abusivo (por exemplo, sofrer abusos por parte de um dos pais enquanto o outro negava ou permitia).

Outra possibilidade é que o principal cuidador da criança não fosse confiável ou constante, como acontece com pais que têm oscilações de humor extremas ou que usam drogas ou álcool. Nesses casos o vínculo com o pai ou com a mãe costuma parecer instável e apavorante, e não seguro.

0 ambiente familiar é privador. As primeiras relações objetais costumam ser empobrecidas. O carinho e o cuidado paternos – carinho físico, empatia, proximidade e apoio emocional, orientação, proteção – costumam não existir ou ser deficiente. Um dos pais, ou ambos (mas especialmente o cuidador principal), talvez não se disponha emocionalmente a proporcionar empatia mínima. O paciente se sente só.

O ambiente familiar é demasiado punitivo e rejeitador. Pacientes com transtorno de personalidade borderline não advém de famílias que aceitam, perdoam e amam. Em vez disso, são oriundos de famílias que criticam e rejeitam, demasiado punitivas quando os pacientes cometem erros, e que não perdoam. A postura punitiva é extrema: quando crianças, esses pacientes foram levados a se sentir sem valor, maus, inúteis ou sujos, e não como crianças normais ao se comportarem mal.

O ambiente familiar impõe subjugação. O ambiente familiar suprime as necessidades e os sentimentos da criança. Geralmente, há regras implícitas sobre o que ela pode ou não pode dizer ou sentir.

A criança entende a mensagem: “não demonstre o que sente, não chore quando for machucada, não se irrite quando alguém a maltratar, não peça o que quer, não seja vulnerável ou real. Seja apenas o que nós queremos que você seja”. Expressões de sofrimento emocional por parte da criança – sobretudo tristeza e raiva – geralmente deixam os pais irritados e causam punição ou retraimento.


Como é o tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?

tratamento básico para o transtorno de personalidade borderline (TPB) é a psicoterapia. A terapia cognitivo-comportamental, especialmente a terapia do esquema, e a terapia comportamental dialética são tratamentos que têm apresentado resultados comprovados de eficácia para o TPB.

Em função dos pacientes com TPB poderem experienciar níveis muito elevados de emoções negativas e, simultaneamente pouca tolerância afetiva, a prescrição de medição é comum.

Embora alguns tratamentos medicamentosos possam ser eficazes, recomenda-se cautela ao cogitar farmacoterapia para esses pacientes específicos. No entanto, a farmacoterapia cuidadosamente monitorada pode ser um auxílio útil e importante à psicoterapia no tratamento do transtorno de personalidade borderline.

A conceitualização do transtorno de personalidade borderline como originária de uma criança abusada, extremamente assustada, que é deixada sozinha em um mundo malevolente, ansiando por segurança e ajuda, mas desconfiada, devido ao medo de novo abuso e abandono, está relacionada ao modelo da terapia do esquema de Young.

Young explica que alguns estados patológicos de pacientes com transtorno de personalidade borderline são uma espécie de regressão a estados emocionais intensos, experienciados na infância. Young conceitualizou esses estados como modos de esquema e, além de estados regressivos, ele também estipulou modos de esquema menos regressivos.

Um modo de esquema é um padrão organizado de pensamento, sentimento e comportamento, baseado em um conjunto de esquemas, relativamente independente de outros. Supõe-se que os pacientes com transtorno de personalidade borderline pulam subitamente de um modo para outro.

Na terapia do esquema quatro modos de esquema são centrais no transtorno de personalidade borderline: o modo criança abandonada e abusada; o modo criança zangada/impulsiva; modo pais punitivos e o modo protetor desligado. Além disso, existe um modo adulto saudável, que denota o lado sadio do paciente.

O objetivo geral do tratamento na terapia do esquema é ajudar o paciente a incorporar o modo adulto saudável, tendo como referência o terapeuta, para:

(1) Criar empatia com a criança abandonada/abusada e protegê-la.

(2) Ajudar a criança abandonada a dar e receber amor.

(3) Combater e eliminar o pai/mãe punitivo.

(4) estabelecer limites ao comportamento da criança zangada e impulsiva e ajudar os pacientes nesse modo a expressar emoções e necessidades adequadamente.

(5) Dar segurança e substituir, gradualmente, o protetor desligado pelo adulto saudável. Identificar os modos (este é o centro do tratamento) e incorporar estratégias adequadas a cada um deles é o objetivo do tratamento.

Segue abaixo a descrição das etapas do tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline:

Refletindo o início do desenvolvimento infantil, o tratamento contém três etapas principais: (1) a etapa de vínculo e regulação emocional, (2) a etapa de mudança dos modos de esquema e (3) a etapa da autonomia.

Primeira etapa: Vínculo e regulação emocional

  • O terapeuta estabelece vínculos com o paciente, desvia o protetor desligado e se torna uma base estável e carinhosa.
  • O terapeuta estimula a expressão de necessidades e emoções na sessão.
  • O terapeuta ensina o paciente técnicas de enfrentamento para controlar humores e suavizar o desconforto causado pelo abandono.
  • Terapeuta e paciente negociam limites em relação à disponibilidade do primeiro, com base na gravidade da sintomatologia e nos direitos pessoais do terapeuta.
  • O terapeuta lida com crises e define limites com relação a comportamentos autodestrutivos.
  • O terapeuta inicia o trabalho vivencial relacionado à infância do paciente.

Segunda etapa: Mudança de modos de esquemas

  • O terapeuta apresenta um modelo de modo adulto saudável ao fazer a reparação parental do paciente. O adulto saudável age para confortar e proteger a criança abandonada/abusada, para estabelecer limites à criança zangada/impulsiva, para substituir o protetor desligado e para eliminar o pai/mãe punitivo.

Terceira etapa: Autonomia

  • O terapeuta orienta o paciente com relação a escolhas adequadas de parceiros e ajuda a generalizar as mudanças obtidas na sessão aos relacionamentos fora da terapia.
  • O terapeuta auxilia o paciente a descobrir suas inclinações naturais e a segui-las em situações cotidianas e em decisões importantes.
  • O terapeuta vai desacostumando o paciente à terapia ao reduzir a frequência das sessões.
  • Psicóloga Porto Alegre – Psicóloga Alvorada – Michele Silva

Bulimia: sintomas, tratamentos e causas

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O que é Bulimia?

A bulimia é um distúrbio alimentar no qual uma pessoa oscila entre a ingestão exagerada de alimentos, com um sentimento de perda de controle sobre a alimentação, e episódios de vômitos ou abusos de laxantes para impedir o ganho de peso. Pessoas com bulimia estão sempre preocupadas com a aparência, principalmente com o peso.

Causas
A causa exata da bulimia ainda é desconhecida. Trata-se de um transtorno de alimentação e, por isso, muitos fatores podem estar envolvidos nos motivos que levam à sua ocorrência.

A influência exercida pela mídia sobre o comportamento e o padrão de beleza das pessoas também pode estar entre as possíveis causas. O culto ao corpo magro e o desprezo às pessoas acima do peso pregado pela indústria da beleza e da moda, aparentemente, levam milhões de pessoas em todo o mundo a apresentar quadros de bulimia.

Dessa forma, a bulimia é um distúrbio de imagem, no qual o paciente não consegue aceitar seu corpo da forma como ele é, ou tem a impressão de que está acima do peso em níveis acima da realidade. Isso pode levar a um quadro de ansiedade, que faz a pessoa buscar maneiras bruscas de perder peso rapidamente, ao mesmo tempo em que busca conforto na comida.

Fatores de risco

Fatores genéticos, psicológicos, traumáticos, familiares, sociais ou culturais podem contribuir para seu desenvolvimento. A bulimia provavelmente ocorre devido a mais de um fator.

A bulimia afeta muito mais mulheres do que homens e é mais comum em mulheres adolescentes e em jovens adultas.

A genética também pode ser um fator de risco para a bulimia. Estudos mostram que ter um parente com bulimia pode favorecer o desenvolvimento da doença. No entanto, ainda não está certo se é um fator genético que predispõe à bulimia ou o comportamento familiar que favorece a doença.

Saiba mais: Problemas da bulimia

Acredita-se também que a deficiência de serotonina, um neurotransmissor diretamente relacionado à sensação de prazer, pode estar relacionada à bulimia.

Sintomas de Bulimia

Os sintomas mais comuns são:

Preocupação excessiva com o peso e com a silhueta
Ter medo de ganhar peso
Perder o controle sobre o que come
Comer em excesso até sentir desconforto ou dor
Ir ao banheiro imediatamente após as refeições
Forçar o vômito após comer
Fazer uso de diuréticos e laxantes após comer
Usar suplementos diários de perda de peso.
Diagnóstico e Exames
Buscando ajuda médica
Se você apresentar alguns dos sintomas de bulimia, considere procurar um médico. Saiba que esse transtorno pode acarretar em problemas mais graves se não houver tratamento e que existe cura. Converse com seu médico, psicólogo ou ainda com algum parente, amigo ou pessoa de confiança sobre os sintomas.

Caso um familiar ou alguém próximo a você esteja com sintomas, converse com essa pessoa. Muitas vezes o paciente não tem consciência de que está passando por dificuldades e precisará de muito apoio para superar. No entanto, é importante não forçar uma decisão ou atitude sem que a pessoa se sinta confortável.

Na consulta médica

Conheça algumas dicas para dar bom andamento à consulta médica:

Anote seus sintomas e descreva-os ao médico
Tire todas as suas dúvidas
Vá acompanhado de alguém de confiança.
Esteja preparado, também, para responder a algumas perguntas do médico. Confira exemplos:

Há quanto tempo você mantém preocupação com seu peso?
Você pratica exercícios físicos?
Quais meios você utiliza para perder peso?
Você come quantas vezes ao dia?
Em quais quantidades?
Você tem algum parente na família com algum distúrbio de alimentação?.
Diagnóstico de Bulimia

Quando há suspeita de bulimia, o médico deverá realizar um exame físico completo do paciente em questão e pedir para que ele faça um exame de fezes e urina. É comum também que haja necessidade de avaliação psicológica do paciente, uma vez que bulimia é um distúrbio alimentar muitas vezes relacionado ao psicológico.

Tratamento e Cuidados

Pessoas com bulimia raramente vão ao hospital, exceto quando os ciclos de comportamento bulímico acarretam também em anorexia ou quando forem necessários medicamentos para ajudar a interromper a purgação e, também, em casos em que depressão profunda estiver presente.

Com mais frequência, uma abordagem passo a passo é usada para pacientes. O tratamento depende da gravidade da bulimia, assim como a resposta da pessoa aos tratamentos. Veja exemplos:

Grupos de apoio podem ser úteis para pacientes em condições estáveis, que não têm nenhum problema de saúde
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) e a terapia nutricional são os melhores tratamentos para a bulimia que não responde a grupos de apoio
Antidepressivos geralmente são usados.
Os pacientes com bulimia podem desistir dos programas se tiverem esperanças não realistas de serem “curados” somente com terapia. Antes do início de um programa, deve-se esclarecer o seguinte:

Várias terapias provavelmente serão experimentadas até que o paciente possa superar esse distúrbio grave
É comum a bulimia retornar (recaída), mas isso não é motivo para desespero
O processo é doloroso e exige um trabalho árduo da parte do paciente e de sua família.

Medicamentos para Bulimia

Os medicamentos mais usados para o tratamento são:

Daforin
Fluoxetina.
Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Convivendo/ Prognóstico

Bulimia é uma doença de difícil recuperação, mas a cura é possível. Confira algumas recomendações que pacientes com bulimia devem levar em conta durante o tratamento:

Siga à risca as orientações do médico e o tratamento

Siga uma dieta saudável, devidamente orientada por um especialista
Informe-se bastante, frequente grupos de apoio e saiba das consequências que podem ser geradas
Procure ajuda médica em caso de recaída
Tenha paciência consigo mesmo
Exercite-se, mas com cautela. Siga sempre as orientações dos médicos.
Complicações possíveis
A bulimia pode ser perigosa e levar a complicações médicas graves ao longo do tempo. Por exemplo, os vômitos frequentes colocam ácido gástrico no esôfago (o tubo que liga a boca ao estômago), o que pode lesar permanentemente essa área.

Possíveis complicações da bulimia incluem:

Constipação
Desidratação
Cáries
Desequilíbrios eletrolíticos
Hemorroidas
Pancreatite
Inflamação na garganta
Rasgos no esôfago devido ao excesso de vômitos.

A bulimia é uma doença com efeitos a longo prazo. Muitas pessoas ainda apresentarão alguns sintomas, mesmo com o tratamento. Pessoas com menos complicações médicas de bulimia e aquelas que têm vontade e podem participar da terapia têm uma chance maior de recuperação.

Prevenção

Apesar de não haver um meio 100% garantido de se prevenir, é sempre possível evitar o contato com alguns fatores contribuintes. Veja:

Cultive sempre a ideia de um corpo saudável com seu filho ou filha, independentemente da silhueta ou do peso
Converse com o pediatra de seu filho ou filha;

Eles podem notar desde cedo algumas indicações de distúrbios alimentares e as melhores maneiras de evitar que eles se desenvolvam;

Converse com um médico também se souber de algum parente da família que já teve ou tem algum tipo de distúrbio alimentar. A pessoa pode ajudar a aprender desde cedo a lidar com a questão e a impedir que o problema evolua também.

Transtorno de Personalidade Antissocial

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O que é Transtorno de Personalidade Antissocial?

Segundo o DSM-IV (Manual de Transtornos Mentais), o Transtorno de Personalidade Antissocial caracteriza-se essencialmente pelo padrão invasivo de desrespeito e violação dos direitos alheios, mas não se trata de uma simples desconsideração pontual como qualquer um de nós está sujeito a passar com alguém que amamos, o Transtorno de Personalidade Antissocial vai muito além disso: Trata-se de uma total falta de empatia em relação aos demais, um egoísmo profundo e uma incapacidade de experimentar sentimentos como o amor.

As pessoas que virão a apresentar esse transtorno geralmente desenvolvem  um outro tipo de distúrbio na infância ou adolescência: o Transtorno de Conduta. Para falarmos sobre Transtorno de Personalidade Antissocial, antes vamos entender do que se trata o Transtorno de Conduta.

O que é o Transtorno de Conduta?

Este transtorno é caracterizado por padrões de conduta socialmente inadequados, agressivos, que violam normas sociais ou direitos individuais, sendo uma das maiores causas de encaminhamento psiquiátrico infantil. É muito importante o tratamento ser iniciado logo nos primeiros sintomas, que podem surgir na fase infantil ou adolescente:

  • Agressividade excessiva,
  • Crueldade com outras pessoas ou animais,
  • Condutas incendiárias ou depredação de patrimônio,
  • Roubos/furtos,
  • Abuso sexual
  • Mentiras recorrentes
  • Violações sérias de regras são alguns dos sinais que indicam transtorno de conduta.

Quando esse transtorno se apresenta antes dos 10 anos, observa-se frequentemente também o déficit de atenção e hiperatividade ( 43% dos casos). Quanto mais cedo o transtorno de conduta aparecer, mais provável que o Transtorno de Personalidade Antissocial se estenda até o longo da vida da pessoa, portanto, quanto antes o tratamento for iniciado, melhor.

É importante dizer que é mais frequente entre os 12 e 14 anos, geralmente no sexo masculino ( 4 vezes mais do que no feminino).

Tipos de Transtorno de Conduta:

  1. Com Início na Infância: Quando há surgimento de pelo menos um critério importante antes dos 10 anos
  2. Com Início na Adolescência: Quando nenhum dos critérios aparece antes dos 10 anos, todos surgem posterior a esta idade.
  3. Início Inespecificado: Quando não há idade conhecida para o desenvolvimento do Transtorno de Conduta

Diagnóstico de Transtorno de Personalidade Antissocial

O Transtorno de Personalidade Antissocial é diagnosticado por um psicólogo em conjunto com o psiquiatra, a partir dos 18 anos, quando há o histórico de transtorno de conduta e, torna-se evidente entre os 20 e 30 anos. Este transtorno é um tipo de condição mental crônica onde o pensar, perceber, sentir e se relacionar com os outros podem se tornar disfuncionais e destrutivos.
Estes indivíduos não distinguem o que é certo ou errado e, desconsideram totalmente os desejos, direitos e sentimentos ao próximo, ou seja, ocorre a ausência total de empatia.

Como reconhecer pessoas com Personalidade Antissocial?

As pessoas com esse transtorno tendem a ser hostis, manipuladoras e a tratar as pessoas com dureza, frieza, indiferença e insensibilidade. Com certa frequência podem violar leis, causar problemas sem apresentar nenhum sentimento de culpa ou remorso e são incapazes de cumprir quaisquer tipos de compromissos ou responsabilidades se isso não for do seu interesse.

É preciso atentar ao fato de que pela característica de manipulação pode ser difícil reconhecer inicialmente as verdadeiras intenções de um psicopata. Muitas vezes, construímos um imaginário de uma pessoa muito fria e ao se deparar com alguém extremamente sedutor e agradável, podemos ser enganados por uma máscara que se sustenta manipulando a real personalidade; a maioria dos portadores do diagnóstico de Transtorno de Personalidade Antissocial não se apresentam como realmente são, e sim sendo pessoas bem intencionadas e até prestativas ou generosas.

Causas:

Apesar de ainda ser um mistério, estudos indicaram que fatores constitucionais ou ambientais podem estar envolvidos no desenvolvimento desse transtorno. Observou-se também que, grande parte dos portadores tem um histórico de problemas familiares e sociais. Por exemplo:

    • Criança que sofreu privação afetiva;
    • Mãe com transtorno de personalidade antissocial ou qualquer outro distúrbio mental;
    • Pais negligentes;
    • Crianças que cresceram em ambiente hostil ou em meio à discórdia conjugal;
    • Pais violentos, agressivos;
    • Abuso sexual na infância;
    • Fatores genéticos ou fisiológicos.

Sintomas Transtorno de Personalidade Antissocial

  • Atitudes agressivas e brigas frequentes;
  • Não se importar com a segurança pessoal ou de outras pessoas;
  • Roubos/ furtos;
  • Manipular pessoas para atingir objetivos;
  • Mentiras frequentes;
  • Infringir leis;
  • Ausência total de culpa ou remorso pelas ações cometidas;
  • Arrogância;
  • Irritação frequente;
  • Egocentrismo, senso de superioridade, vaidade e exibicionismo;
  • Uso de artifícios como charme e sagacidade para manipular pessoas para um benefício próprio.

Pessoas com este diagnóstico não deixam de apresentar comportamentos antissociais, trata-se de um estado crônico, que pode variar para um ou outro comportamento, mas todos tendo em comum a prevalência de suas vontades e em detrimento de qualquer mal estar que possa ser causado aos outros.

Diagnóstico:

O diagnóstico geralmente é feito por um Psiquiatra ou Psicólogo e somente é possível em pessoas acima dos 18 anos, com histórico de Transtorno de Conduta antes dos 15 anos. Se o paciente apresentar mais de 18 anos, porém não reunir sintomas suficientes para o  para o diagnóstico de Transtorno de Personalidade Antissocial, então em geral é feito o diagnóstico de Transtorno de Conduta, mas ambos devem ser feitos por profissionais especializados.

Vale ressaltar que outros transtornos podem ter características parecidas com o Transtorno de Personalidade Antissocial e, podem ser confundidos pelos familiares, por isso, o aconselhamento e acompanhamento é de extrema importância tanto para que o diagnóstico seja assertivo, quanto para que seja possível pensar em tratamento.

Tratamento para Transtorno de Personalidade Antissocial

Infelizmente este é um tipo de transtorno que não costuma apresentar boa resposta para a intervenção medicamentosa e psicoterápica; isso quer dizer que os resultados para Tratamento de Transtorno de Personalidade Antissocial não são muito animadores no caso de adultos, no entanto é imprescindível que a família entenda o problema e possa aprender a lidar com a dinâmica tão peculiar destes pacientes.

Se você percebe que alguém próximo possa apresentar os sintomas descritos para Personalidade Antissocial, ou que sua criança ou adolescente apresentam sintomas de Transtorno de Conduta não deixe de buscar acompanhamento para realizar o diagnóstico e entender a conduta terapêutica mais adequada.